Por Alexandre Rocha

Os usuários de serviços relacionados ao Facebook vivenciaram ontem (13), uma instabilidade no Brasil e outros países. Houve dificuldades para publicar conteúdo, executar processos simples no Gerenciador de Anúncios do Facebook Business, transferir imagens através do WhatsApp, e até mesmo para logar em suas contas do Instagram.

A essa altura, tarde do dia 14, jornais relatam o ocorrido e noticiam também a normalização do funcionamento dos serviços em questão. Mas, diante do fato de que milhares de pequenos negócios são levados a crer (e investir) apenas nas mídias sociais como “estratégia de marketing”, não poderíamos deixar de compartilhar com você uma linha de raciocínio. E se os serviços não voltassem?

De volta ao passado

Antigamente, antes das mídias sociais, era indiscutivelmente um bom negócio ter um site, e a maioria dos empreendedores também reconhecia o papel da ferramenta em suas estratégias de negócios. Os sites institucionais eram ferramentas para apresentar a marca ao consumidor, exibir o portfólio de produtos e até mesmo atuar como um canal de comunicação com o público através da velha página de Contato.

Se você ainda possui alguma dúvida sobre a relevância dos sites institucionais como apresentamos, observe seu impacto diante do jornalismo tradicional. Agora (principalmente antes das mídias sociais) era possível publicar furos de reportagem em poucos minutos após verificadas as informações, acelerando um processo que originalmente demandaria a produção de uma tiragem extra, ou a publicação da próxima edição, às vezes muitas horas depois dos eventos.

Os sites reinavam! Mas ainda assim era preciso investir em estratégias diversificadas, e os empreendedores entendiam facilmente que apesar de estar online, era imprescindível atuar também offline, já que o alcance da marca pode ser ampliado de várias maneiras.

Entre as ferramentas disponíveis para ampliar a eficiência dos sites estavam os blogs, que apresentavam conteúdo relevante ao público, e permitiam que não apenas os jornais o fizessem, e também os velhos (mas ainda inteiros!) fóruns, que agrupavam o público de maneira segmentada por tópicos de interesse, como Baboo e Adrenaline, que reúnem adeptos da tecnologia da informação. Observe que, por mais que haja quem diga que a segmentação só foi possível com a chegada das mídias sociais, os velhos fóruns já possuíam banners de anúncios.

Mídias sociais, os clientes reunidos na web

As mídias sociais surgiram integrando pessoas ao redor do mundo, com a ideia central de socialização. A onda era estar conectado aos amigos no Orkut, fazer parte de grupos alinhados às preferências do usuário, por exemplo. No início, as mídias sociais não apenas “encurtavam as distâncias”, como também foram canais para reencontros no mínimo improváveis sem a sua existência.

Em paralelo à chegada das mídias sociais, os sites estavam firmes e fortes, e agora já não era necessário sequer saber seus endereços, bastava que o usuário conhecesse serviços como o Cadê ou Yahoo, e um universo de informações se abriria em uma fração de segundos! (os servidores de pesquisa eram rápidos, nossa internet discada é que se arrastava).

As mídias continuaram sem parar, vimos o Orkut nascer, crescer e morrer, acompanhamos o surgimento do Facebook, do Instagram (que foi comprado pelo Facebook), do WhatsApp (que foi comprado pelo Facebook), e os números de usuários (que foram comprados… Ops, eles ainda não!) disparando em cada uma elas. O Brasil aparecia em destaque como consumidor dos serviços de mídias sociais, e chegamos a experimentar dias de silêncio total, quando brigas na justiça tiraram do ar aquela que se tornou uma das principais formas de comunicação no país.

Em dado momento na história, notou-se que as mídias sociais representavam uma biblioteca gigantesca não apenas de informações de usuários, como também de suas preferências, justamente numa era onde crescia a consciência acerca do ouro moderno para as empresas, a informação. As mídias sociais passaram então a servir como canal “direto” entre negócios e consumidores, tanto para a comunicação, quanto para exposição de anúncios segmentados por interesse, idade, gênero, categorias de afinidade e RETARGETING! (Sim, você será perseguido!)

Apesar de todas as maravilhas do marketing disponíveis nas mídias sociais, os sites resistiam, assim como os jornais impressos. Talvez pelas consecutivas crises, altos e baixos do mercado, combinados com a entrada de players sem muitos recursos ou expertise para oferecer aos novos empreendimentos, um forte movimento pela presença digital fundamentada nas mídias sociais ocorreu, e o surgimento de pequenos negócios atuando em “frente única” disparou.

Miopia generalizada?

Seja pela enorme quantidade de informação disponível, nem sempre clara ou confiável, ou pelo efeito manada, muitos empreendedores decidiram reduzir “custos”, cortando mais que a própria carne, literalmente abrindo mão do que seria parte fundamental para suas estratégias de marketing, a mídia proprietária! Neste ponto me refiro ao site institucional e todos os seus recursos, e opto por usar sua definição para deixar clara sua dimensão e importância.

Muitos negócios começaram (e permaneceram) sem explorar os benefícios de ter um site e explorar seus recursos, mas há também aqueles que o fizeram, mas enxergam como mera formalidade, duvidando ainda hoje sobre as necessidades de investir em melhorias e estratégias de impulsionamento. Acredite, contrariando nossas recomendações, ainda há quem pague por um site institucional para deixa-lo ao acaso, “boiando” na internet sem conteúdo ou investimento, como aquela loja apagada no fim do corredor mais vazio do shopping.

O Instagram está definitivamente em alta, e parciais do estudo Perfil do Internauta 2019 apontam que 51% dos usuários de mídias sociais utilizam o serviço. Diante do sucesso de uma mídia fundamentalmente visual, e da especulação de muitos empreendedores de que “o consumidor não lê” (78,3% dos internautas leram pelo menos 4 livros nos últimos 12 meses segundo parciais do estudo Perfil do Internauta 2019), é incontável o número de empreendimentos que dispõe de recursos para estabelecer estratégias sólidas, mas continua ancorado em uma única mídia social, num sinal crítico de descaso com o marketing estratégico (salvo os casos onde suas ações seguem o plano de marketing, é claro!).

Entenda que está tudo bem se você começou o negócio dos seus sonhos há pouco tempo, e está começando a viver fora do “zero a zero”, utilizar as mídias sociais como via de acesso ao seu público é algo de extrema inteligência enquanto promove um ótimo custo-benefício, mas, é importantíssimo avaliar constantemente seu empreendimento com o “olhar do dono”, a fim de perceber o momento de apertar o passo.

Seja qual for o tamanho do seu empreendimento, estamos aqui para dizer o que você precisa ter em mente com os fatos da semana: e se o Facebook não voltasse? Onde o consumidor encontraria hoje o seu negócio?

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